
DOENDO
Ai que vontade tenho de gritar Aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh! Jogar fora toda dor que sinto. As reais, irreais e as que ainda nem conheço. As dores que sinto por não conseguir me entender, por me entender demais e por querer me entender. É muito confuso, mas está tudo confuso dentro da minha cabeça, ela dói de pensar e às vezes não chego a lugar nenhum. Odeio minha carência e vulnerabilidade. Tenho a sensação de ter nascido com um grande buraco no centro da minha alma, incapaz de ser preenchido. Geralmente o preencho com minhas dores, mas não é suficiente, quanto mais dor uso para alimentar esse vazio, mais ele me dói, me rouba de mim mesma, me seqüestra, me faz ser quem não sou. Eu grito por socorro, mas minha alma está muda. Só meu corpo reclama. A alma jaz muda, doendo. Não consigo dizer, nem para mim mesma, o que dói, onde dói. Minha vontade de morrer é para fazer parar de doer. Não agüento mais doer, acho que eu mesma já me transformei em dor. Eu sou minha própria dor. Nada a cura. Nada me cura, nem ninguém. Virou um vício doer. Se não dói nada está bom. Quero amar a mim mesma, como pessoa, como criatura, como ser, como criança, como adolescente, jovem, mulher, mas prefiro doer; não uma preferência que eu queira, mas que acontece. É extremamente louco, mas dói mais ainda estar bem, ficar bem ou querer estar e ficar bem, sem dor. Aí é que dói. Dóóóóóóói, ditongamente agudo...Não dou conta... de nada, da dor, do amor, do rancor, do temor, do terror, do torpor que toma conta do meu corpo, enrugando-me a alma, flagelando-me o espírito. Não consigooooooooo... viver consciente... busco a fuga em tudo, a realidade é loucura para mim. Fujo quando estou bem, fujo quando estou mal, só quero fugir, mais nada... tenho medo de me encontrar e ver que eu não sou eu.
Texto de Priscila Primer
Hoje esse texto também se encaixa perfeitamente em mim. Infelizmente.